Os pais podem mentir para as crianças?

27 out
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Raquel de Godoy Retz Pompeo

 

Porque a pergunta?

É que alguns pais dizem entre si: as crianças não podem saber que o pai brigou com a mãe, o avô com a avó, a madrinha com o padrinho. Elas não podem saber onde fomos; porque choramos; o que pensamos sobre determinada pessoa.

 

E daí?

Um dos nossos maiores enganos é errar sobre o que verdadeiramente a criança está querendo saber.

Por exemplo: “vocês brigaram?” “Tivemos uma briguinha, mas logo faremos as pazes”. Se disserem “não”, estão mentindo. E talvez tenham de mentir muitas vezes, porque as briguinhas são comuns entre marido e mulher e uma mentira gera outra.

 

Pode ser mais fácil explicar a verdade. Imagine assim a resposta: “como adulto as vezes falamos bobagens, mas já passaram e gostamos um do outro do mesmo jeito”.

Data que aparecem mentiras é perto do Natal. Digam simplesmente: “vamos ver no Natal” quando a criança perguntar se o “Papai Noel existe?” Se a criança for ainda pequena e acredita; deixe que ela acredite. Se no próximo Natal, ela descobrir ou já souber que são os pais que compram os presentes, que mal faz?

 

Na vida, todas as nossas ilusões vão se desfazendo, aos poucos, e nós aguentamos. Um dia é o dia de Natal, outro é o dia da doença.

Ambos são dias de vida, que devemos viver com suas emoções próprias. Não devemos empacotar nossas emoções, nem sufocá-las sob dedos asfixiantes.

 

Emoções são riquezas da vida. Porque mentir sobre elas? Ou sobre fatos que nos foram acontecendo e que as crianças mais cedo, ou mais tarde, descobrirão.

Se os pais mentiram e elas foram afetadas por estes fatos, quanta mágoa, quanto ressentimento, quando aprendizado ruim. Além disso, as crianças precisam aprender a superar situações difíceis. Isso faz parte da vida.

 

Seus filhos e netos sabem valorizar o que seus pais passam para sustentá-los, educá-los, proporcionar-lhes alegrias e divertimentos? É claro que não vamos fazer pesar em cima das crianças o que é a missão dos pais, mas saber dos fatos reais, sem reclamações e cobranças, ajudará a criança a ser um adulto mais equilibrado.

Sempre equilíbrio na educação. De qualquer modo, mentir não resolve. Ninguém jamais perdeu por enfrentar á própria realidade.

 

Não somos ingênuos a ponto de não saber que: há coisas que exigem segredo, há outras que supõem discrição. Daí a necessidade de discernimento. “Uma cabeça bem feita” é um dos ideais da educação. Também dos pais. Pensem bem antes de agir com seus filhos e se errarem, voltem e se expliquem.

 

Qual assunto você gostaria de esclarecer a respeito da educação de seus filhos? Escreva para nós devotosmirins@santuarionacional.com ou deixe seu comentário aqui em baixo