Jogo de crianças ou adultos? A febre do Pokémon pode ser uma diversão em família?

24 ago
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pokemon

A história começa na década de 90 com desenho japonês de um treinador de “bichinhos” e que agora, diante da tecnologia, sobretudo da realidade aumentada, possibilita que todos os que tiveram na infância os monstrinhos animados, como desenhos, envolverem-se como protagonistas, sendo eles mesmos caçadores e treinadores dos Pokémons.

Muitas perguntas surgem, quando um jogo tecnológico invade a vida de mais de 76 milhões de usuário no mundo: O que possibilitou a este jogo virar “febre” tão rapidamente? Quais os reais perigos e as vantagens deste jogo? É um jogo que vicia e o vício é prejudicial? Por que é tão estimulante?

Algumas características da atualidade podem ser relacionadas com este jogo tecnologicamente moderno e que envolveu adultos e crianças. Falam de sermos “reféns de espaços reduzidos”, ou seja: morar em apartamentos e ter medo da violência das ruas tranca uma parcela considerável da população em espaços, nos quais o caminhar livre, o brincar na natureza, não fez parte das conquistas infantis típicas do brincar com amigos, primos e até desconhecidos, no parque público da cidade.

O jogo leva as pessoas para um novo convívio social e por estarem tão concentrada na brincadeira, alguns medos nem são percebidos ou são minimizados.

A psicologia sempre demonstrou a importância do brincar para crianças, em diversos níveis. Para exemplificar, podemos focar o aspectos de socialização que influi no desenvolvimento da criatividade e no exercício de maturidade com os ganhos e perdas típicas do brinquedo.

pais e filhosO brincar em espaços amplos, ligados à natureza, pode, sob determinado aspecto, oferecer novas e distintas experiências do brincar em telas de computadores e celulares, como hoje acontece com muitas crianças que passam dias, meses e até anos, presas a essa atividade.

Pokémon Go leva seus jogadores a caminharem por vários locais que incluem praças e parques públicos. É um exercício de socialização e de ocupação de espaços mais amplos do que os apartamentos e pequenos playgrounds de condomínios.

A experiência de liberdade pode ser fortemente sentida, porém ainda vale a ressalva de que não é você que escolhe aonde vai, mas é o jogo que conduz você para onde os Pokémons estão. Como fica o exercício da liberdade? Só se caminha se efetivamente se escolhe, mas vale aqui um alerta: o jogo conduz você ou você conduz o jogo?

Outra consideração é quanto ao formato de pontuação intermitente. Quanto mais se captura os bichinhos, mais o jogador pontua e evolui no game. Os pontos e as recompensas podem estar em qualquer lugar e você pode conquistá-los a qualquer hora. A recompensa sem saber bem a hora e o local é altamente estimulante para levar o jogador a se viciar na atividade. Não são todas as pessoas e nem todo jogo com esta característica, que efetivamente viciam, mas o conjunto de carências do espaço de brincar, de motivações sociais e de recompensas aleatórias identificadas são ingredientes que compõem a “febre” pelo Pokémon Go.

A família deve repensar: Como meus filhos estão aproveitando os espaços públicos com liberdade e segurança? Quais a formas de diversão mais utilizadas e como as crianças se socializam e se exercitam, fisicamente, no brinquedo? Como a presença dos pais e da tecnologia na vida dos filhos se tornam aliadas e não inimigas?

Não há nenhuma indicação nem positiva nem negativa para participar da caçada aos bichinhos japoneses, mas não percamos a oportunidade de refletir sobre o ato do brincar visando a buscar uma vida mais saudável, mais feliz e sem dúvida, mais ampla a fim de alcançar uma formação integral mais eficaz, para as crianças que tanto amamos.

Raquel Godoy  

psicóloga, educadora e coordenadora do Projeto Devotos Mirins

10 Comentários

  1. bernardo
    7 meses atrás

    eu tambem nunca abaxei este jogo como poso baixar?

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    1. Tijolinho
      Tijolinho
      7 meses atrás

      Olá Bernado, você baixa do seu celular. Peça a ajuda de um adulto. Um abraço.

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  2. Rodrigo
    10 meses atrás

    Eu nunca gostei de pokemon go ja tive mas desinstalei pois moro no campo e nao tem pokemons por aqui

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  3. João Paulo
    10 meses atrás

    Acho melhor não brincar com este jogo. Parece-me, apesar de uma avaliação superficial, perigoso, física e espiritualmente. Prudência se requer.
    abraços.

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  4. Rosy Santos
    10 meses atrás

    Apesar de todos esses pontos positivos,eu ainda prefiro e acho bem mais seguro meu filho não brincar com esse tal de Pokémon Go,pois o jogo em si pode ser legal sim. Mais os perigos das ruas é que não dá para se confiar. Pois se antes desse jogo já acontecia várias coisas com criancas,mulheres e adultos. Agora com esse jogo as coisas só tendem a piorar. Então por prevenção eu não deixo meu filho jogar esse jogo,nem meu marido. E em tão pouco tempo que esse jogo foi liberado para o Brasil,já vi várias casos de roubo,e mortes por conta da distração das pessoas enquanto joga o Pokémon. Na minha casa e na minha vida não quero presença desse jogo. Pois criar filho no mundo de hoje já não tá fácil,entao para tentar um futuro melhor para meus filhos eu quero desde já previnir alguns acontecimentos.

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    1. Tijolinho
      Tijolinho
      10 meses atrás

      Cara Rosy,

      O texto tem o objetivo de levar os pais a refletirem sobre os aspectos de segurança e adequação da ferramenta quanto às características de “vicio” que a estratégia tecnológica podem levar o usuário.
      Sempre estimulamos os pais a acompanharem seus filhos em todos os momentos, sobretudo nas brincadeiras. O brincar junto, “pais e filhos”, sempre é interessante para o desenvolvimento das crianças, porém escolher entre as diversas brincadeiras é uma tarefa que os pais devem fazer de acordo com a faixa etária de seus filhos e com o objetivo de aprendizagem de cada atividade.”

      Abraços Fraternos!

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  5. barrosnhopauli1@hotmail.com
    10 meses atrás

    Boa tarde!! Eu acho esse jogo uma besteira, muitos tem medo de andar pelas ruas para ir na Igreja, hospitais, mercados etc mas pra caçar Pokémon, não. Onde vamos parar desse jeito vamos rezar muito pois a tecnologia em jogos pra alguns tem mais sentidos.

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  6. Marianne Aparecida de Castro Ramos
    10 meses atrás

    Eu nunca baixei esse jogo, não sei como é

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    1. manoella
      10 meses atrás

      então e melhor nem baixar, blz!!!

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  7. Ligia
    10 meses atrás

    Que bom esses esclarecimentos!!! Obrigada!!!
    Sou professora do ensino fundamental e tenho dois filhos, Felipe 8 e Letícia 5.
    Achei ótimo, pois muito se comenta sobre este jogo e vejo mais coisas negativas nele, do que positivas. Só que, muitas vezes, nos falta as palavras certas, visto a sedução que o jogo traz. Acredito que existem brincadeiras mais legais, que envolvem a família com outras famílias e levam as crianças a se desenvolverem de modo mais saudável!!
    Parabéns a todos que fizeram com que esta matéria fosse publicada!!

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