Como despertar os pequenos para Deus?

24 ago
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Esta frase acima pode ser uma pergunta, mas antes é um pedido de Deus para os pais. Encontramos no livro de Deuteronômio, 6, 6-7, a seguinte recomendação: “Estas palavras, que hoje te ordeno, estejam em teu coração. Tu as ensinarás a teus filhos e delas falarás, sentado em casa, andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te”.

Em algumas Comunidades, encontramos diversas atividades voltadas para as crianças, sem contar com a Pastoral da Catequese, que tão bem realiza sua missão, apesar de que, muitas vezes, precisa trabalhar com poucos recursos, mas faz o melhor que consegue, atingindo os objetivos propostos para estas faixas etárias.

Porém, de forma geral, temos poucas celebrações, grupos, atividades, materiais, programas relacionados à educação da fé para as crianças, sobretudo aquelas fora da faixa etária da catequese. Percebe-se que, para as crianças bem pequenas, há falta de orientação às famílias e não há atividades para despertá-las para Deus.

Muitos pais e avós desejariam mais orientações e materiais para educarem na fé seus filhos, em cada idade. Até mesmo para os adolescentes e jovens encontramos poucas propostas de desenvolvimento da espiritualidade.

A idade dos pequenos é particularmente rica em abertura e interesse para novas descobertas. Basta observar que se percebem nas crianças curiosidades em relação a tudo que se refere ao transcendente, relacionando-se bem com Deus e compreendendo a presença e a bondade na vida delas. Um exemplo está na relação das crianças com a natureza, da qual surge a compreensão da bondade e a perfeição do Deus-Criador.

Uma família que tem fé deve agir com naturalidade ao se deparar com curiosidades e perguntas das crianças, demonstrando respeito e interesse por todas as coisas que falem de Deus. O respeito e a oração são apreendidos, pelos pequenos, ao observarem seus pais e familiares vivenciando momentos de fé.

Deve-se falar de Deus, enfatizando que Ele é Aquele que ama, protege e sempre é bondoso. É importante evitar conceito de um Deus que sempre castiga, pune e não aceita as coisas normais da vida, pois esta percepção é uma distorção, que até foi utilizada, em tempos passados, para manipular as crianças, pelo medo, a realizarem a vontade dos adultos.

Apresentar Jesus como amigo mais próximo das crianças é uma maneira simples e bem próxima ao universo infantil, assim como a natureza, os animais, a família. A família que reza junto, em voz alta, que conversa sobre a fé, sonha junto com um mundo sempre mais justo e bom, desperta, no cotidiano, seus filhos e filhas para as coisas de Deus.

O exemplo dos pais é a forte ferramenta neste processo de educação da fé, assim como o exemplo de Jesus é o caminho certo a ser ensinado e seguido. O poder do testemunho é marcante e o tempo não apagará.

Finalizo, contando uma estória que li em algum lugar, do qual não me lembro o nome, e que relatava uma conversa entre um adulto e uma criança.

O adulto perguntou:

– Quem é Deus para você?

A criança respondeu que era seu grande amigo.

O adulto continuou perguntando: – Você acha que Deus é poderoso?

Sem duvidar e rapidamente, a criança balançou a cabeça afirmativamente.

Não satisfeito, o adulto perguntou por que ela achava que Deus era poderoso.

A criança pensou e respondeu:

– “Deus é poderoso porque minha mãe sempre pede para Ele as coisas mais difíceis, e Ele sempre consegue fazer”.

Com simplicidade, Deus dá, pelo testemunho dos adultos, toda a sabedoria aos pequenos. Sejamos nós, adultos, bons cristãos e testemunhas fiéis de nossa fé, para assim contribuirmos para a educação da fé das crianças em nosso redor.

Raquel Godoy  

psicóloga, educadora e coordenadora do Projeto Devotos Mirins